quarta-feira, 30 de agosto de 2023

Lucas e Seu Amigo Branco


 



Havia uma pequena cidade onde vivia um garotinho chamado Lucas. Lucas era um menino quieto e solitário. Ele gostava de passear pelas ruas da cidade, observando as pessoas e os animais. Mas havia uma tristeza em seus olhos, porque ele tinha perdido seu pai em um acidente quando era muito pequeno.

Lucas vivia com sua mãe, que sempre tentava animá-lo, mas o vazio deixado pela ausência do pai ainda estava lá. Um dia, enquanto voltava da escola, Lucas viu algo no canto da rua que chamou sua atenção. Era um gatinho branco, todo sujo e magro, parecendo muito perdido.

Lucas se aproximou devagar e olhou nos olhos do gatinho. Ele viu uma certa tristeza ali, algo que ele mesmo sentia. O gatinho olhou de volta para Lucas, como se entendesse a dor que ele carregava. Lucas estendeu a mão com cuidado, deixando que o gatinho se aproximasse. O gatinho cheirou a mão de Lucas e depois esfregou sua cabeça nela, como se estivesse agradecendo por ter sido encontrado.

"Vou te chamar de Branco", disse Lucas com um sorriso tímido. Ele pegou Branco nos braços e o levou para casa. Sua mãe ficou surpresa ao ver o gatinho, mas ela entendeu que Lucas precisava de um amigo. Lucas e Branco logo se tornaram inseparáveis. Lucas cuidava de Branco, dando-lhe comida, um lugar quentinho para dormir e banhos para que ele ficasse limpo e fofo.

A presença de Branco trouxe alegria para a vida de Lucas. Ele não se sentia mais tão sozinho, pois tinha um amigo para compartilhar seus pensamentos e sentimentos. Lucas contava a Branco sobre seu pai, suas alegrias e tristezas, e Branco sempre ouvia atentamente, ronronando suavemente como se estivesse confortando Lucas.

Com o passar do tempo, Lucas começou a fazer novos amigos na escola também. Ele descobriu que a amizade com Branco o ajudou a superar a timidez e a se abrir para os outros. Lucas e Branco tinham aventuras juntos, explorando os campos e brincando na grama. Eles eram uma dupla feliz.

À medida que os anos passaram, Lucas cresceu, e sua tristeza pelo pai que havia perdido ainda estava lá, mas ela se misturou com as lembranças felizes e com o amor que ele tinha por Branco. Eles enfrentaram desafios juntos, aprenderam e cresceram juntos.

E assim, a história de Lucas e Branco tornou-se uma inspiração para todos na cidade. Era uma história de amizade, superação e amor. A ligação entre um garoto solitário e um gatinho abandonado mostrou a todos que a amizade pode curar feridas e iluminar os corações mais escuros.

E assim, Lucas e Branco viveram felizes para sempre, lembrando que a verdadeira amizade é capaz de transformar vidas de maneiras maravilhosas. E sempre que alguém se sentia triste ou solitário naquela cidade, a história de Lucas e Branco era contada mais uma vez, lembrando a todos que há esperança e alegria nos laços que criamos com aqueles que amamos.

terça-feira, 29 de agosto de 2023

A história de uma menina e sua boneca Jajá.

 A história de uma menina e sua boneca Jajá.

Cláudio Lopes da Silva



Havia uma linda menina chamada Diana, que tinha três anos de idade. Ela era branquinha, magrinha e tinha cabelos encaracolados que dançavam ao vento. Diana tinha um tesouro muito especial: sua boneca Jajá. Ela, a Jajá, era uma amiga única, uma boneca de pele negra e vestida com roupas coloridas e bordadas com flores deslumbrantes.


A boneca Jajá tinha sido um presente carinhoso da avó de Diana, um presente que carregava muito mais do que apenas linhas e tecidos. Ela representava amor, conexão e o valor da diversidade. Diana adorava Jajá com todo o seu coração, e não ia a lugar nenhum sem ela. Jajá era sua confidente, sua companheira de aventuras e sua melhor amiga.


Os dias mais felizes para Diana eram aqueles em que ela e Jajá iam ao parque municipal. Ao saírem juntas, Diana segurava Jajá com um brilho de orgulho nos olhos. As pessoas olhavam para elas com admiração, pois a amizade de Diana com Jajá mostrava que a verdadeira beleza estava na diversidade e na aceitação.


Enquanto passeavam pelo parque, Diana e Jajá exploravam cada canto com entusiasmo. Corriam pelo gramado verde, balançavam nos balanços e riam sob a luz do sol. As pessoas ao redor sorriam ao ver a alegria contagiante de Diana e a amizade inquebrável com sua boneca.


Um dia, enquanto brincavam perto de uma lagoa tranquila, Diana notou algumas crianças olhando para ela e Jajá. Ela sorriu para elas e disse: "Esta é a minha amiga Jajá. Ela é a boneca mais incrível do mundo!" As crianças se aproximaram, curiosas, e logo começaram a conversar e brincar juntas. Diana percebeu que a amizade não conhecia barreiras, nem mesmo aquelas que poderiam surgir da diferença de aparência.


À medida que os anos passavam, Diana e Jajá continuavam sendo inseparáveis, compartilhando segredos, sonhos e risadas. Com o tempo, Diana passou a compreender a importância da mensagem que sua amizade com Jajá transmitia. Ela aprendeu que a verdadeira amizade e o amor eram sobre aceitar as pessoas pelo que elas eram por dentro, independentemente de como fossem por fora.


A história de Diana e Jajá espalhou-se pelo bairro, inspirando todos a abraçar a diversidade e a valorizar as amizades verdadeiras. E, à medida que o tempo passava, Diana nunca esqueceu o valioso ensinamento que sua avó lhe dera: que a amizade e o amor genuínos eram as cores mais belas que poderiam preencher e enfeitar a vida das pessoas.


E assim, a história de Diana e Jajá continuou a tocar os corações de todos, lembrando-os de que a verdadeira amizade era uma celebração de cores, diferenças e alegrias compartilhadas.


quinta-feira, 4 de março de 2021

Modelos de Administração Pública e seus os Novos Paradigmas

 

PARADIGMAS DE ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA

Virgílio Cézar da Silva e Oliveira

O desenvolvimento da gestão pública pode ser caracterizado por meio de três orientações principais. Trata-se dos paradigmas patrimonial, burocrático e gerencial. O primeiro é marcado pelo poder pessoal e arbitrário do soberano e de seus representantes. O segundo fundamenta-se em regras objetivas e delimitação de autonomia. O terceiro concentra-se em resultados e aproxima a administração pública da gestão empresarial.
Incorporando debates globais, mas com foco voltado para o contexto nacional, a administração pública Societal busca romper com a distinção entre política e administração e com o exercício historicamente autoritário do poder público no Brasil. Pretende-se, nesta seção, detalhar os quatro modelos e expor suas características,
méritos e limitações.
Click na imagem abaixo e faça a leitura completa.


https://drive.google.com/file/d/1e2WeGuNN-RkcLyggR04BMJu9fZQ5CkAg/view?usp=sharing


terça-feira, 14 de julho de 2020

O Corpo Fala


O Corpo Fala

Você sabia que o nosso corpo fala? E que é possível, observando-se as pessoas, compreender um pouco do que ela está sentindo.
Sim! É isso, o nosso corpo expressa muito do que somos, ou, do que estamos pensando e ou sentindo, num dado momento. O Livro o Corpo Fala é um clássico da comunicação corporal. De leitura fácil é obrigatório para todos nós que lidamos com pessoas. Seja nas relações familiares ou profissionais, compreender as diferentes expressões corporais é fundamental para evitar conflitos desnecessários, ou mesmo; " cantadas" sem futuro.
 Acesse o link abaixo e leia gratuitamente o livro: "O Corpo Fala"

segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

Reflexões sobre a educação inclusiva

Reflexões sobre a Educação Inclusiva 

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#inclusão #gestão #educação inclusiva #equipe gestora



Inclusão Escolar um desafio
Nos últimos anos os sistemas de ensino adotaram práticas administrativas e pedagógicas objetivando a redução das diferentes formas de discriminação que implique em obstáculo ao direito do exercício pleno da cidadania das pessoas com necessidades educativas especiais.

No entanto, esse processo não ocorreu de maneira estanque. Ao contrário, deu-se como resultado da pressão exercida por diferentes organismos internacionais e nacionais sobre os sistemas de ensino. Na realidade a educação refletia os princípios excludentes da manutenção do poder das classes dominantes sobre os mais pobres. Essas pessoas, marginalizadas, não tinham acesso aos espaços sociais promotores da cultura e da formação humana. Nesse contexto, as instituições escolares eram preparadas para abrigar os alunos considerados como normais (CARVALHO, 2014. p. 18). Os alunos deveriam adaptar-se à escola e não o contrário. Nesse cenário, os alunos diferentes ou especiais, ou não estudavam ou o faziam em educandários especializados para atendê-los. Tal percepção de educação segregacionista, que ainda persiste em muitos sistemas de ensino, vem sendo substituída por um novo modelo de escola, a escola inclusiva.
A concepção de uma educação para todos numa perspectiva inclusiva é definida no trecho subtraído da Declaração de Salamanca, onde se lê que:

Todas as escolas deveriam acomodar todas as crianças independentes de suas condições físicas, intelectuais, sociais, emocionais, linguísticas ou outras. Aquelas deveriam incluir crianças deficientes e superdotadas, crianças de rua e que trabalham crianças de origem remota ou de população nômade, crianças pertencentes a minorias linguísticas, étnicas ou culturais, e crianças de outros grupos desavantajados ou marginalizados (UNESCO, 1994.p. 6).

A inclusão proposta na Declaração de Salamanca (ONU, 2017) se refere, portanto, a todas as crianças e adolescentes em fase escolar. Nesse novo cenário, a escola deve se preparar para proporcionar aos alunos e docentes condições de promover uma educação de qualidade universalizada. A concepção de uma educação inclusiva dessa envergadura pressupõe a ruptura com o atual modelo tradicional de ensino, rompendo as barreiras da discriminação, passando a nortear a política educacional em todos os países como forma de garantia de uma escola comprometida com a cidadania, como afirmam Dutra e Gibroski (2001, p. 1):

A educação inclusiva é tema atual no contexto da política educacional do nosso país, leis e diretrizes inspiradas na concepção de direitos humanos suscitam mudanças no sistema educacional em todos os níveis e orientam para a garantia da equidade no processo educacional, fazendo avançar a responsabilidade da escola com a promoção da cidadania.

A concepção de uma educação inclusiva, como elemento garantidor da equidade no processo educacional é elemento indutor de uma nova política educacional em todos os países signatários da Declaração de Salamanca. Observamos que a educação inclusiva força os sistemas educacionais a se comprometerem com a equidade. Esse novo pensar a educação tende a romper com as fronteiras atuais e estabelecer novas diretrizes de compreensão do processo de ensino e de aprendizagem. Uma educação, vista sob a ótica da justiça social e da inclusão, como nos lembram Seabra, Ferreira e Neiva (2017), ao afirmarem que:

[...] Na perspectiva da inclusão, significa fazer com que todos os alunos adquiram um nível básico de competências; do ponto de vista da justiça, implica que circunstâncias pessoais ou socioeconômicas, tais como o gênero, origens étnicas ou características familiares, não constituam obstáculo ao sucesso educativo [...] (SEABRA; FERREIRA; NEIVA, 2017, p. 290).

A educação inclusiva tende a romper com os paradigmas da educação tradicional, derrubando as barreiras que impedem que todos os alunos tenham as condições educativas para um ensino de qualidade. Constitui-se como instrumento de transformação dos atores sociais envolvidos na prática educacional; professores, alunos, familiares e gestores escolares.
A escola deve resignar-se, reconhecendo os fatores internos e externos ao ambiente escolar, responsáveis por acirrar as desigualdades existentes no atual sistema de ensino. Isso exigirá uma reorganização das instituições de ensino. Como lembram Dutra e Griboski (2011) ao afirmarem que é preciso organizar todos os recursos necessários para se alcançar uma educação de qualidade para todos. Nesse viés de movimento transformador, as autoras afirmam que a educação inclusiva é um processo que se firma em três fatores:

[...] o primeiro é a presença do aluno na escola enquanto sujeito de direito, estar na escola, junto aos demais colegas da sua faixa etária e na sua comunidade; o segundo é a participação, o relacionamento livre de preconceito e discriminação, em ambiente acessível para que realmente todos participem das atividades escolares, com um currículo aberto e flexível; o terceiro fator é a construção de conhecimentos, que significa o aluno estarem na escola, participando, aprendendo e se desenvolvendo [...] (DUTRA; GRIBOSKI, 2011, p. 1).

Os fatores que culminam na transformação dos sistemas educacionais em sistemas inclusivos implicam em colocar o aluno na escola e comprometer-se com a retirada das barreiras ambientais ou humanas que produzem a exclusão. Observa-se que a proposição de uma educação inclusiva tem por finalidade a inserção dos alunos na escola de maneira radical. Todos têm o direito de frequentar as instituições regulares de ensino, garantidas as condições de permanência e de aprendizagem com qualidade. Trata-se de inclusão social em contraponto à simples integração de alunos. Sobre o fenômeno da inclusão radical ou total, Mantoan (2003) afirma que:

A inclusão total e irrestrita é uma oportunidade que temos para reverter a situação da maioria de nossas escolas, as quais atribuem aos alunos as deficiências que são do próprio ensino ministrado por elas – sempre se avalia o que o aluno aprendeu, o que ele não sabe, mas raramente se analisa “o que” e “como” a escola ensina, de modo que os alunos não sejam penalizados pela repetência, evasão, discriminação, exclusão, enfim (MANTOAN, 2003, p. 18).

           A inclusão radical ou irrestrita traz para o ambiente escolar a diversidade, permitindo a escola rever a sua prática com foco nas diferenças peculiar da heterogenia dos atores escolares. Sobre o trabalho na diversidade, afirma Carvalho (2014):

O trabalho na diversidade começa pelo reconhecimento das diferenças e na paridade de direitos que, na escola, traduzem-se como aprendizagem e participação e não apenas como presença física nesta ou naquela modalidade de atendimento educacional escolar (CARVALHO, 2014, p. 23).

Assim, para uma educação inclusiva a escola deve não só reconhecer as diferenças, mas fazer com que todos participem dos processos decisórios. É necessária a presença dos diferentes segmentos da escola na construção e revisão do projeto político pedagógico, no planejamento administrativo e nas definições financeiras da instituição. Ou seja, a gestão de uma instituição de ensino que pretenda promover a inclusão no ambiente escolar deve privilegiar a descentralização do poder.

A descentralização da gestão administrativa é condição para que se promova maior autonomia pedagógica, administrativa e financeira de recursos materiais e humanos das escolas e é promovida por meio da atuação efetiva dos conselhos, dos colegiados e das assembleias de pais e de alunos (MANTOAN, 2003, p. 37).

Portanto, ao descentralizar a gestão e estimular a participação democrática de todos os membros da comunidade escolar o ambiente educacional tende a se tornar mais inclusivo, pois se retira da equipe gestora o estigma de controlador e fiscalizador. Reduz a burocracia e permite a todos, numa postura mais reflexiva, reconhecer e participar do que ocorre em diferentes tempos e espaços escolares. Contribui nessa reflexão o pensamento de Carvalho (2014) sobre a inclusão nos espaços escolares, onde a autora afirma que:

A operacionalização da inclusão de qualquer aluno no espaço escolar deve resultar de relações dialógicas, envolvendo família, escola e comunidade, de modo que cada escola ressignifique o significado das diferenças individuais, bem como reexamine a sua prática pedagógica (CARVALHO, 2014, p. 98).

Aqui, a equipe gestora, numa escola inclusiva, é compelida a compreender que a operacionalização da inclusão pressupõe o exercício de prática democrática e compartilhada de poder. Não basta detectar a existência de barreiras físicas e humanas à inclusão e retira-las. É fundamental que todo o processo ocorra de forma responsiva e com o envolvimento de todos.

Trechos da Dissertação de Mestrado:  
Educação inclusiva e os desafios da equipe gestora de uma escola regular de ensino
Orientador(a): Prof. Dra. Núbia Aparecida Schaper Santos

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Ética Política

A Política e a ética fazem parte da nossa realidade. É um dado de fato, existem. Ora, diante da realidade, nós só temos uma alternativa: ou estamos passivos diante dela ou a acolhemos (que a realidade ética possa ser negada é somente uma ilusão política perigosa).
Estar passivos diante da realidade ética, no caso da ação política, significa entender e praticar a relação social de poder como uma espécie de mecanismo de transferência pessoal de alguns valores e princípios de um lugar para outro, ou pela imposição ou por persuasão. A maneira com a qual muitas vezes estudamos a ética na política parece muito com a transferência de um conjunto de objetos de um espaço, o espaço pessoal de que detém o poder, para um outro espaço, o da mente do cidadão, onde esses objetos transitam, para, no devido tempo, serem transferidos para um novo espaço, espelhando a visão do dominador (político). Assim, a maior parte dos ideais, se perde na "terra de ninguém", ou de um único alguém. Nesse tipo de movimento, a mente e o coração da pessoa são implicados muito superficialmente. É como encher uma banheira de água: depois que nós destampamos a saída, a banheira fica úmida por um tempo e depois não fica nenhum resto de água. Sobra, simplesmente, a nostalgia do Ideário; a empírica visão de uma sociedade mais justa, mais ética e mais fraterna. Evidentemente que para tantos estou exagerando, mas não estou muito longe da verdade.
"Acolher" a realidade, nestes termos, significa "assumi-la", comprometer-se, envolver-se com ela, deixá-la entrar e, sobretudo deixar que ela modifique o nosso espaço interior (uma coisa depositada num quarto não modifica o quarto, mas uma semente plantada no chão o modifica). É este interesse que torna cada atividade nosso inclusive a vivência ética, elemento autenticamente humano. A realidade política nos interessa, tem a ver conosco, toca-nos no fundo. Mas, sem o conteúdo de uma ética verdadeira, a política torna-se mesquinha, fica distante da VERDADE POPULAR.
Assim é necessária uma discussão da realidade política atual, pautada na ética, não a ética do dominador e ou de quem o serve. Mas, a ética na visão comportamental do CIDADÃO, para que as pessoas possam reacender em si, o interesse pela atividade política.

 

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Ética e raiz de valores

A má qualidade geral de vida e a crescente violência em todos os níveis derivam, em grande parte, de uma vasta crise de valores atingindo os fundamentos da ética. Os mapas conhecidos não orientam mais e a bússola perdeu o Norte.
Duas fontes da moral orientaram as sociedades até hoje: as religiões e a razão. As religiões continuam a ser os nichos de valor privilegiados para a maioria da humanidade. A razão, desde que irrompeu em todas as culturas mundiais no século VI a.C., no assim chamado tempo do eixo (Jaspers), tentou estatuir códigos éticos universalmente válidos. Esses dois paradigmas não ficam invalidados pela crise mas precisam ser enriquecidos, se quisermos estar à altura das intimidações que nos vêm da realidade hoje globalizada.
A crise cria a oportunidade de irmos às raízes da ética e descermos àquela instância donde se gestam continuamente valores. A ética deve nascer da base última da existência humana. Esta não reside na razão, como sempre pretendeu o Ocidente. A razão não é nem o primeiro nem o último momento da existência. Por isso não explica tudo nem abarca tudo. Ela se abre para baixo, de onde emerge de algo mais elementar e ancestral: a afetividade. Abre-se para cima, para o espírito, que é o momento em que a consciência se sente parte de um todo e que culmina na contemplação. Portanto, a experiência de base não é ''penso, logo existo'', mas ''sinto, logo existo''. Na raiz de tudo não está a razão (Logos), mas a paixão (Pathos). David Goleman diria, no fundamento de tudo está a inteligência emocional. Afeto, emoção, numa palavra, paixão é um sentir profundo. É entrar em comunhão, sem distância, com tudo o que nos cerca. Pela paixão captamos o valor das coisas. E o valor é o caráter precioso dos seres, aquilo que os torna dignos de ser e os faz apetecíveis. Só quando nos apaixonamos vivemos valores. E é por valores que nos movemos e somos.
À deriva dos gregos, chamamos essa paixão de eros, de amor. O mito arcaico diz tudo: ''Eros, o deus do amor, ergueu-se para criar a Terra. Antes, tudo era silêncio, nu e imóvel. Agora tudo é vida, alegria, movimento.'' Agora tudo é precioso, tudo tem valor, por causa do amor e da paixão.
Mas a paixão é habitada por um demônio. Deixada por si mesma, pode degenerar em formas de gozo destruidor. Todos os valores valem, mas nem todos valem para todas as circunstâncias. A paixão é um caudal fantástico de energia que, como águas de um rio, precisa de margens, de limites e da justa medida para não ser avassaladora. É aqui que entra a função insubstituível da razão. É próprio da razão ver claro e ordenar, disciplinar e definir a direção da paixão.
Eis que surge uma dialética dramática entre paixão e razão. Se a razão reprimir a paixão, triunfam a rigidez, a tirania da ordem e a ética utilitária. Se a paixão dispensar a razão, vigoram o delírio das pulsões e a ética hedonista, do puro prazer. Mas se vigorar a justa medida e a paixão se servir da razão para um autodesenvolvimento regrado, então emergem as duas forças que sustentam uma ética humanitária: a ternura e o vigor. A ternura é o cuidado com o outro, o gesto amoroso que protege. O vigor é a contenção sem a dominação, a direção sem a intolerância. Aqui se funda uma ética, capaz de incluir a todos na família humana.
Leonardo Boff